segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

INCUBADORA SOCIAL: A MÃO VISÍVEL DO FENÔMENO DO EMPREENDEDORISMO CRIANDO RIQUEZAS

O texto apresenta uma metodologia inédita para análise do fenômeno da Incubadora Social, do empreendedorismo social e das organizações que não visam lucros, cuja construção e disseminação em larga escala deste tipo de abordagem, podem contribuir para o surgimento de empresas do terceiro setor.
O empreendedor social não é um capitalista, embora precise de capital, o empreendedor social não é um investidor, todavia assume risco e o empreendedor não é um empregado, podendo, contudo, sê-lo. É freqüentemente um empregado – ou alguém que trabalha sozinho e exclusivamente para si mesmo.
Empreendedor social é alguém que cria algo novo, algo diferente, que modifica ou transforma valores. Ele está sempre buscando a mudança, reage a ela e a explora como sendo uma oportunidade.
Os empreendedores sociais inovam. A inovação é instrumento específico do espírito empreendedor. O empreendedor, por definição, transfere recursos de áreas de baixa produtividade e rendimento para áreas de produtividade e rendimentos mais elevados.
A incubadora de empresa é um instrumento de desenvolvimento econômico, dirigido essencialmente aos setores de atividades geradores de riqueza e que, mediante a sua metodologia de apoio integral, contribuem de forma eficaz para: a dinamização, criação e estruturação de micro, pequenas e médias empresas, a significativa redução da taxa de mortalidade de novas empresas, incentivo à inovação e à competitividade empresarial, a diversificação da produção e o desenvolvimento endógeno; a geração de exportações e de valores acrescentados, entendidas tanto a nível nacional como, sobretudo regional, a geração e a preservação sustentada de postos de trabalho e a respectiva qualificação, o desenvolvimento das capacidades de gestão e o fomento da vocação empresarial, o desenvolvimento da cooperação transnacional, nos âmbitos financeiro, tecnológico e comercial.
As incubadoras, como entidades patrocinadoras de apoio integral ao desenvolvimento das micro e pequenas e média empresas, estão concebidas com a finalidade de pôr em prática dois tipos de mecanismo: mecanismos de seleção, que permitem identificar as iniciativas mais promissoras - tanto de pessoas empreendedoras que desejam criar uma empresa como de empresas já existentes - e aumentar a eficácia das ajudas e programas públicos, mecanismos de organização, dirigidos a melhorar as condições de acesso dos empreendedores e das micro, pequenas e médias empresas aos serviços de apoio às empresas do terceiro setor, aumentando assim as suas possibilidades de êxito.
As incubadoras de empresas são, portanto, eficazes instrumentos de desenvolvimento, adaptados ao seu meio social e empresarial e à sua região. Cumprem uma função social, ao serem instrumentos de desenvolvimento econômico, levando a sua ação através de uma metodologia integral própria, de demonstrada eficácia, regida por critérios estritamente profissionais que transmite ao mundo empresarial. São ainda um meio eficaz e coerente do princípio ao fim - desde o nascimento de um projeto até a sua colocação em marcha e ao acompanhamento posterior, que, com a sua perspectiva dinâmica e integral, ajuda a suprir todo o tipo de carências que poderiam obstar ao êxito de qualquer projeto prometedor, contribuindo assim, de forma relevante, para o bem-estar da Sociedade.
As incubadoras disponibilizam, para as empresas e para os negócios, o acesso aos recursos financeiros e materiais e todos os mecanismos adequados de apoio às iniciativas empresariais viáveis, numa postura de facilitadores da vida das empresas, às quais é mais difícil ultrapassar todos os enormes obstáculos que sempre se colocam quando estão sozinhos à procura dos seus objetivos e ao melhoramento da sua performance empresarial.
Face à sua demonstrada eficácia no desenvolvimento de uma ação profissional e estruturante virada para o desenvolvimento sócio-econômico das regiões, e sendo para tal imprescindível que as incubadoras não abdiquem, em momento algum, da sua total fidelidade à sua Missão, ao seu Conceito e à sua Metodologia, torna-se necessário que sejam equacionados mecanismos de apoio à sua atividade, numa estrita filosofia de prêmio ao desempenho, evitando-se que, por razões de ordem econômica e financeira, estas Incubadoras transijam com atuações que desvirtuem a sua natureza e características ímpares.
O apoio que se defende que o Estado venha a considerar dever conceder às incubadoras de empresas deverá ser entendido: de uma forma global e estruturada, não como um gasto, mas, como um investimento do Estado em estruturas que, pela sua postura independente e altamente profissional, agem no terreno numa tripla ótica econômica e financeira, de criação de emprego qualificado e de desenvolvimento regional, conseguindo benefícios significativos para o Estado e para a Sociedade em geral, na otimização dos dinheiros públicos aplicados nos incentivos à criação de empregos e de empresas e na maximização do potencial de sucesso dos projetos apoiados pelo Estado.
É preciso encorajar a inovação nas empresas, particularmente nas micro e pequenas empresas do terceiro setor, criadas via incubadora. Reforçar o papel das incubadoras de empresas que não visem lucros no processo de criação de empresas é um fator decisivo para o desenvolvimento econômico e social nacional. Assegurar às incubadoras os meios para manterem ativa a sua forma de ação muito particular e diferenciada face a todas as outras estruturas existentes é afinal um bom negócio para o Estado.
Os empreendimentos diferem em duas dimensões pelo seu grau de inovação (criação de algo novo e diferente) e preparação psicológica para assumir riscos.
“O empreendedor olha ao seu redor e pergunta-se – por quê? Porém sonha coisas que nunca viu antes e questiona-se – por que não?”
É o momento de colocar em prática os 4 Is – inspiração, inovação, implementação e incubação .
O organograma de toda empresa devia ter a forma de um átomo, e a palavra cliente escrita bem no meio. O empreendedor de sucesso precisa conscientizar os seus funcionários para resolver qualquer problema que o cliente tenha. Todos sabem que o lucro é fruto da criação, manutenção e fidelização dos clientes.
Cada vez mais se usa a inovação para explorar as oportunidades geradas pelas mudanças. Isto vem tornando-se cada vez mais evidente quando avançamos rumo à sociedade pós-capitalista baseada no conhecimento, é o que preconiza o Peter Drucker em vários de seus textos.
Uma das dimensões-chave para a empresa desenvolver-se em direção a seu mais alto potencial é seu apetite por mudanças, que consiste na capacidade de se desapegar do passado e criar, de forma proativa, novas formas de fazer as coisas que lhe trarão sucesso no futuro.
Muito se fala das rápidas mudanças no mundo dos negócios, do poder crescente dos clientes. Hoje a mudança tem características próprias: é perigosa, traiçoeira, imprevisível e sempre surpreendente.
As mudanças tecnológicas inesperadas são muito rápidas. Recorde-se o exemplo da queda da IBM o que motivou a ascensão da Microsoft.
O papel tradicional das patentes, como defesa da propriedade intelectual, sofreu uma grande erosão. Isso sucede na maioria dos segmentos de alta tecnologia com exceção da farmacêutica, ou seja, para conservarem a liderança , as empresas da alta tecnologia já não podem adormecer a sombra das patentes.
Conseguir impor o padrão e o caminho para uma posição monopolista ou oligopolista no mercado. Neste mercado de alta tecnologia a emergência de um padrão confere um poder de mercado enorme.
As empresas de base tecnológica reavaliam permanemente suas tecnologias centrais. Isso provoca um incremento nas alianças estratégicas, embora muito instáveis, requer uma atitude de “co-opetição”, ou seja, cooperar e competir em mercados diferentes.
Possui alcance, nível de turbulência e aceleração nunca vistas. E o mais atemorizante para os “privilegiados” tempos que vivemos nesta época: a mudança é hipercrítica.
As pessoas não mudam rapidamente. Não é da natureza humana. Em termos abstratos, todo mundo é a favor de mudanças. Mas, quando se trata de coisas que irão alterar diretamente a vida das pessoas, elas não aceitam.
O mundo dos negócios está em ebulição. Vivemos em uma era de mudanças. Assistimos a troca do paradigma da era industrial, quando o foco estava nos pontos fracos, pelo paradigma da era do conhecimento, que determina que cada empreendedor deva concentrar-se em seus pontos fortes e compensar os fracos, montando equipes em que haja pessoas com habilidades complementares.
O segredo para alimentar a inovação está em criar autenticamente um espaço em que seja possível correr riscos.
O comportamento de correr riscos deve fazer parte da cultura e emergir da maneira como as coisas são feitas ao seu redor. Então, a pergunta é: como se estimula uma cultura propensa a assumir riscos?
A essência do empreendedorismo da Era Digital está em uma cultura do risco profundamente arraigada, por isso, há uma enorme diferença entre criar uma empresa em uma incubadora e fora dela.
Temos de entender que o processo de incubação de empresas é resultado de um movimento fantástico de empreendedorismo. Inclusive um movimento de negações, talvez a maior epopéia do homem tenha resultado no espaço ibero-americano.
Foram os ibéricos que transformaram o mundo achando o caminho para as Índias, mas ao mesmo tempo fazendo reconhecimento da África e descobrindo as Américas, tudo isso obra de empreendedores inspirados no mais profundo sentimento de empreendedorismo .
Na nossa visão de mundo: o ser humano nasceu para ser livre, para empreender e não para ser escravo do medo de empreender. Mas o que faz o ser humano ser livre é ele estar disposto de levar o processo empreendedor, o empreendedorismo até o fim, já o escravo do medo de não empreender sempre pára no meio.
O empreendedor brasileiro precisa entender que deve levar o processo até o fim, porque na verdade, o mercado brasileiro é propício para o surgimento de empreendimentos de alta tecnologia.
É preciso estabelecer uma verdadeira ecologia de inovação, na qual a polinização cruzada entre as suas competências técnicas é o segredo do sucesso.
A cultura das empresas incubadas é a ultracompetição e a inovação. O risco e a experimentação de idéias novas têm que ser encorajados, pois os retornos podem ser enormes. O empreendedor alavanca ativos e capacidades para a criação de novos negócios.
2. MISSÃO
Hoje em dia, a criação de micro, pequenas e médias empresas inovadoras, constitui um dos meios mais eficazes para a criação de emprego e riqueza.
As incubadoras têm, portanto, como missão: fomentar a criação de negócios de características inovadoras com potencial de crescimento, através do apoio às pequenas e médias empresas e à modernização de micro, pequenas e médias empresas já existentes. Neste contexto, “inovação” não pode ser assimilada ou restringida ao “invento”, devendo antes ser tida como tudo aquilo que, constituindo vantagem competitiva para a micro, pequenas e médias empresas, a aproxima das necessidades do seu mercado.
2.1. Transformando uma visão numa oportunidade de negócio
Muitos empreendedores estão a todo tempo a converter suas visões, idéias em oportunidades de negócio. Para conseguir obter sucesso, é sugerido um processo composto de quatro etapas: a primeira é transformar a visão - clarificar a visão e ganhar consenso; a segunda está relacionada com a comunicação e ligação - implantar um sistema de comunicação e educação contínua, determinação e fixação de objetivos e vincular as recompensas a uma sistemática que envolva avaliação de desempenho de todos os membros da empresa e a terceira é a elaboração do plano de negócio - fixar objetivos, elaborar as estratégias de negócio, determinar a melhor forma de distribuição dos recursos disponíveis, estabelecer as perspectivas atuais e futuras do empreendimento.
O empreendedor é dotado de energia, exímia capacidade técnica e intelectual, desenvolve muito cedo habilidades voltadas para os negócios que o ajudam bastante quando resolver montar seu próprio negócio, correndo risco, coisas que as escolas de administração não ensinam. Nas escolas de administração se ensina a contar dinheiro e não a fazer dinheiro.
A criatividade é a capacidade de pensar novas idéias, e a inovação, é a implementação dessas idéias. Em outras palavras, criatividade é o conceito e a inovação é o processo que podem fazer com que a empresa possa vir a ser visionária.
A corrente do “empreendedorismo” é sintetizar o elo existente entre a criatividade, inovação e “empreendedorismo”.
Ser inovador significa ser empreendedor, ser capaz de implementar com êxito uma idéia criativa. Muita gente tem idéias criativas, mas se essas idéias não forem colocadas em prática, não haverá inovação.
"A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio ou serviço diferente."
O empreendedor que sabe administrar a criatividade, a inovação e o espírito empreendedor entende que sua função é promover um ambiente de trabalho que permita as pessoas realizar suas tarefas criativas e inovadoras da melhor forma possível. Ele precisa recorrer à psicologia para entender que os seus colaboradores têm basicamente três necessidades fundamentais: realização, poder e afiliação.
3. OBJETIVOS
Os principais objetivos que as incubadoras se propõem atingir são: identificar e apoiar a criação de novas micro, pequenas e médias empresas de conteúdo de inovação crescente e de maior complexidade, identificar novas oportunidades de negócio e para as quais a região em que se insere a incubadora possua vantagens comparativas assinaláveis, identificar e constituir uma bolsa de indivíduos de maior potencial empreendedor e que manifestem clara intenção de conduzir com sucesso um projeto de criação e identificar e apoiar micro, pequenas e médias empresas existentes e que pretendam modernizar ou diversificar a sua atividade, através da introdução de medidas inovadoras.
4. METODOLOGIA
A metodologia utilizada pelas incubadoras consiste em uma forte aposta no desenvolvimento da capacidade empreendedora do incubado, o seu acompanhamento ao longo do percurso que o levará da idéia até ao negócio, ou seja, o período que corresponde à elaboração do seu Plano de Negócio. Podemos dividir este procedimento em seis fases na metodologia implementada: a) promoção; b) recepção; c) seleção; d) orientação; e) gestação e f) incubação.
5. PROMOÇÃO
De um modo geral, o objetivo desta função consiste em: a) promover e estimular a iniciativa empresarial na região, em particular contendo componentes inovadoras; b) detectar todos os detentores de uma idéia ou projeto de atividade inovadora; c) divulgar o conceito de incubadora e os serviços prestados; d) identificar origens de idéias e oportunidades de negócio; e) procurar manter um fluxo constante de candidatos a empreendedor em micro, pequenas e médias empresas agrícolas interessadas na modernização; f) mobilizar e organizar as competências regionais, e g) públicas e privadas, e todas as pessoas susceptíveis de colaborar no desenvolvimento das iniciativas empresariais.
5.1. Mercado – alvo
Constituem público alvo das incubadoras: os potenciais empreendedores e população em geral: a) empregados de empresas que estejam em processo de privatização; b) estudantes concluintes e pesquisadores das principais universidades; c) inventores; d) inovadores; e e) administradores e empreendedores de micro, pequenas empresas existentes, empenhados na sua modernização. Quanto à tipologia dos projetos, privilegiar-se-ão sobretudo projetos de criação de empresas, serviços de apoio à indústria e outros serviços de interesse regional.
6. AVALIAÇÃO E SELEÇÃO
O objetivo fundamental da função avaliação e seleção é o de identificar os projetos a desenvolver, por empreendedores competentes, contribuindo, desta forma, para a redução da taxa de insucesso, e em particular: avaliar as idéias ou projetos, bem como as competências dos seus autores e selecionar os melhores conjuntos idéia/empreendedor e estabelecer um contrato de cooperação com vista ao desenvolvimento do Projeto e à criação do novo negócio.
6.1. Metodologia
As principais etapas no processo de avaliação e seleção de idéias ou projetos e empreendedores são: entrevista de acolhimento: primeiro contato com a idéia e o empreendedor; apresentação do conceito e da metodologia da incubadora, avaliação da idéia e do seu empreendedor: conhecimento profundo da pessoa e da idéia de negócio, recolha de informações sobre a oportunidade do negócio e o seu nível tecnológico, verificação da viabilidade do ponto de vista técnico, comercial, humano, ambiental, econômico e financeiro, seleção: escolha da combinação perfeita da idéia/projeto que reúnam maior potencial de sucesso e contrato: estabelecimento de um contrato de cooperação definindo objeto, direitos e obrigações das partes.
7. GESTAÇÃO
Selecionados os candidatos portadores das suas idéias ou projetos, inicia-se o planejamento das ações necessárias ao desenvolvimento da idéia, de forma a que se transforme num projeto “inquestionavelmente” viável (plano de negócio). Esta fase poderá ter início pelo desenvolvimento do produto, passando pelo projeto e construção do protótipo.
7.1. Desenvolvimento das aptidões de Gestão
Desenvolver os conhecimentos do empreendedor nas técnicas fundamentais do planejamento e gestão empresarial de acordo com as necessidades identificadas pela incubadora, conjuntamente com o candidato, é o objetivo desta função. Assim, pretende-se criar as bases para que o empreendedor do projeto reúna os conhecimentos necessários para gerir o projeto com sucesso.
7.2. Consultoria e Assistência
São objetivos desta função: avaliar o grau de inovação dos produtos ou processos, apoiar o promotor no desenvolvimento de produtos e processos até a sua aplicação comercial, orientar o empreendedor no processo de registro de inventos e patentes, fornecer informação sobre novas tecnologias e tendências verificadas nos diversos setores de atividade e nos mercados internacionais, orientar o empreendedor nos processos de licenciamento industrial.
7.3. Plano de Negócios
O Plano de Negócios, um dos principais fatores de diferenciação da atividade das incubadoras, tem como objetivo apoiar o empreendedor a desenvolver uma sistemática orientada, de forma a reduzir a probabilidade de insucesso. Simultaneamente, a elaboração do Plano pelo empreendedor constitui um teste às suas competências e bem assim um treino que o levará a adquirir maiores competências para dirigir, no futuro, a sua própria empresa.
7.4. Consultoria e Assistência em Marketing
A experiência mostra que é no domínio comercial que as necessidades objetivas de apoio dos empreendedores são maiores, sendo raras as situações em que os promotores estão conscientes de tal. Ao especialista em Marketing caberá, durante esta fase, apoiar o empreendedor em: elaboração do estudo ou de uma análise do mercado, desenvolvimento da estratégia comercial e definição da política de comunicação da empresa a criar e elaboração do plano de marketing.
7.5. Consultoria em outros domínios especializados
A incubadora, através de parcerias com o SEBRAE, proporciona aos empreendedores o acesso à consultoria, regra geral a baixo custo, ou mesmo gratuito, nas seguintes áreas: contabilidade, consultoria jurídica, patentes, propriedade intelectual, gestão de pessoal, informática e outros, determinado casuisticamente, em função do próprio projeto ou da sua envolvente regional e de mercado.
7.6. Acesso a Financiamentos e a Incentivos Financeiros
É objetivo desta função facilitar o acesso a todas as fontes de financiamento, alternativas bem como aos mais diversos sistemas de incentivos financeiros, ou outros disponíveis.
8. INCUBAÇÃO
A maior parte das incubadoras oferece um diversificado conjunto de facilidades. Uma vez o projeto aprovado e a empresa constituída, o empreendedor poderá então optar pela utilização de instalações de todas as oportunidades ofertadas, dispondo assim de espaços e apoio logístico a baixos custos como: a) instalações; b) serviços compartilhados; c) consultoria e acompanhamento na fase de criação da empresa; d) promoção das micro, pequenas e médias empresas.
9. MEIOS ENVOLVIDOS E RESULTADOS OBTIDOS
9.1. A Criação de uma Incubadora de Empresas
A criação de uma incubadora e a sua implantação numa determinada região geográfica resultam, sobretudo, de um consenso alargado entre um conjunto abrangente de Entidades Públicas e Privadas da região (por exemplo, Governos Estaduais e Municipais, Universidades, Associações Empresariais, SEBRAE etc.) que, em parceria e dotando a estrutura a criar dos necessários meios financeiros para a fase de criação, entendem estarem reunidas condições para que o surgimento da Incubadora de Empresas na região constitua um fator de desenvolvimento econômico regional. Essas condições têm que ver com diversos fatores, dos quais podemos destacar o potencial endógeno de desenvolvimento empresarial, a base econômica existente, a população, etc.
10. RECURSOS DAS INCUBADORAS
Relativamente ao quadro de pessoal das Incubadoras, importa referir que estes são geridos por uma pequena equipe de profissionais, a qual tem como função primordial, o controle do planejamento e gestão dos serviços da Incubadora.
Contudo, na nossa percepção, a dimensão da equipe da Incubadora deverá ser constituída, no mínimo, por um diretor e dois assistentes, devendo esta cobrir as áreas de promoção, comercialização, apoio técnico e financeiro, para além do necessário suporte administrativo.
As incubadoras de empresas podem essencialmente ser concebidas para as zonas especiais ou de vocação local, visando a sistematização da organização empresarial e a exploração de potenciais recursos econômicos e humanos de uma determinada região. No entanto, as tendências de terceirização da economia têm influenciado igualmente a cada vez maior importância que é conferida à oferta de espaços para serviços.
No entanto, as ações candidatáveis a sistemas de incentivos ou a Programas de apoio, sejam eles Regionais, Nacionais ou Internacionais, envolvem sempre, e necessariamente, determinados níveis de capacidade de autofinanciamento, não só para suportar a parte de contrapartida do proponente, como para fazer face aos períodos de espera pelo recebimento dos recursos resultantes dos apoios concedidos, para além de exigir, muitas das vezes, a prestação de garantias bancárias ou outras. É, portanto, limitada à capacidade das Incubadoras de recurso a este tipo de soluções, sobretudo se o mesmo tiver de ser posto em prática de forma sistemática.
Para, além disso, existem tarefas inerentes à Missão das Incubadoras, como sejam a Promoção, a Avaliação e a Seleção de Projetos que, ao serem os encargos respectivos totalmente imputados aos Projetos a desenvolver, tornariam o preço a cobrar pelos mesmos insuportáveis para os seus empreendedores. É neste campo que a perspectiva de Desenvolvimento Regional que as Incubadoras devem assumir se lhes torna mais onerosa.
Atualmente as Incubadoras enfrentam um dilema de muito difícil resolução: ou se mantêm fiéis à sua Missão e a desenvolvem com total isenção, independência e profissionalismo, e correr o sério risco de se ver inviabilizada por razões de manifesta insuficiência de meios e ou se deixam desviar para atividades mais compensadoras do ponto de vista financeiro, como serão a prática de consultoria, a venda indiscriminada da elaboração de projetos a sistemas de incentivos, e outras, tudo isto conduzindo inexoravelmente ao afrouxamento dos seus critérios de seleção, à primazia da quantidade sobre a qualidade e a negação da sua verdadeira Missão de Desenvolvimento Regional.
Deve, portanto, colocar-se a questão de se saber se as Incubadoras, mantendo-se fiéis aos seus Conceito e Metodologia, e desempenhando com profissionalismo a sua Missão, desenvolvem ou não uma ação de verdadeiro Interesse Público e de Serviço à Comunidade. Se assim for, então a Comunidade deverá contribuir para o custeamento do Serviço que lhe está a ser prestado.
11. RAZÕES DE SUCESSO DO MODELO DE INCUBADORA SOCIAL
Os resultados da ação das Incubadoras no Brasil evidenciam de forma clara o sucesso do seu Modelo. A Incubadora tem vindo ao longo do tempo, e de forma constante e permanente, a prestar relevantes serviços aos empreendedores interessados em criar seu próprio negócio, sendo portadora de diversos casos de experiências bem-sucedidas.
Desta forma, todas as Incubadoras, operando em rede de uma forma muito dinâmica, incorporam a todo o momento os benefícios resultantes dos ensinamentos retirados da prática comum. Os Guias Técnicos, as Ações de Treinamento, as Conferências e Seminários, as Ferramentas de Apoio, etc., colocadas à disposição da rede, permitem às Incubadoras agir no terreno de forma cada vez mais eficaz, segundo métodos e critérios largamente comprovados.
Podemos resumir da seguinte forma as razões que fazem com que o Modelo de Incubadora Social apresente uma elevada taxa de sucesso: missão e prioridades claras, alto profissionalismo, resultados mensuráveis, efeitos de médio e longo prazo, trabalho em parceria, complementaridade, relação custo/benefício favorável, modelo adaptável e funcionamento em rede transnacional.
12. AS NECESSIDADES DE APOIO DAS INCUBADORAS– ENQUADRAMENTOS E JUSTIFICATIVAS
Em face de tudo exposto anteriormente, faz todo sentido que se estudem formas de financiamento parcial da atividade das Incubadoras pelo Estado, numa perspectiva de apoio em função de resultados e não através de meros subsídios, o que viria a incentivar ainda mais a eficiência das estruturas já instaladas, e na perspectiva de ser garantida a fidelidade da ação das Incubadoras ao seu Conceito, Metodologia e Missão.
Anteriormente, foram já abordadas questões ligadas aos recursos financeiros das Incubadoras e as razões pelas quais, para estes se manterem fiéis aos seus Conceitos, Metodologia e Missão, não logram nunca atingir um patamar estável de auto-sustentabilidade.
Foi igualmente realçada a característica de Serviço Público que a ação das Incubadoras encerra em si mesma e a implicação que de tal decorre para a necessidade de que a prestação de tal Serviço seja compensada pela alocação de recursos públicos adequados.
Para a sua sobrevivência a prazo e para que a sua ação no terreno não seja desvirtuada, é absolutamente essencial às Incubadoras que sejam religiosamente preservados os seus fatores de diferenciação, particularmente em relação a: infra-estruturas tecnológicas, associações empresariais e os seus escritórios de apoio aos empreendedores, associações de desenvolvimento regional e local e empresas de consultoria.
É, portanto, necessário encontrar uma solução de fundo, global, estrutural e estável, para que as Incubadoras possam prosseguir a sua Missão e consigam continuar a representar ferramentas especializadas de apoio à criação e à modernização de empresas inovadoras e geradoras de emprego qualificado.
A solução de financiamento a encontrar, sendo global, deverá igualmente ter em linha de conta as soluções de apoio, entretanto conseguidas individualizadamente por cada Incubadora, não se substituindo a elas nos casos em que tal se venha a revelar prejudicial para a própria Incubadora, pelo estabelecimento de condições que conduzam na prática à redução dos apoios já conseguidos.
Na verdade, a necessidade de recurso não integrado a soluções de financiamento das atividades das Incubadoras contraria o seu espírito de unidade e a sua imagem institucional ao nível nacional. Só uma solução global permitirá, por um lado, garantir a fidelidade das Incubadoras ao seu Conceito original e, por outro, assegurar o fortalecimento da sua capacidade de intervenção e do seu reconhecimento como interlocutores, junto do Poder Central.
A constituição de uma Rede de Incubadoras representa um passo para que a falta de coordenação e de articulação das Incubadoras possa ser ultrapassada e para que as Incubadoras, sem prejuízo da sua intervenção operacional de características eminentemente regionais, possam ter igualmente uma ação interventora de efeitos altamente positivos, a um nível superior e mais abrangente, nos domínios ligados à criação e ao desenvolvimento de empresas, à inovação, à transferência de tecnologias, aos “Spin - off”, etc.
Assim, e se, até agora, o fato de as Incubadoras não terem demonstrado capacidade e empenho suficientes na sua própria articulação interna, tem constituído um fator objetivo em desfavor da busca de uma solução integrada para a resolução dos seus problemas financeiros, resultantes em exclusivo do exercício da sua atividade dirigida para o Desenvolvimento Regional, a sua atual integração numa Rede Nacional, a coordenação de esforços e a unificação da sua imagem daí decorrentes passam a representar fatores igualmente objetivos propiciadores da obtenção dessa mesma solução integrada.
Podendo ser considerado altamente vantajoso face aos resultados efetivamente obtidos em termos de melhoria dos métodos e das práticas de gestão e de incremento dos graus de inovação e de incorporação de tecnologia das empresas, bem como de criação de emprego estável e qualificado.
Sintetizando, pode-se afirmar que o conceito de incubadora, como ambiente gerador de novas oportunidades de negócios, não difere muito daquele utilizado por um recém-nascido, quando ele precisa de tratamento especial. Empresas que entram no mercado podem hoje se instalar em ambientes tão protegidos quanto os dos hospitais. No entanto, em ambas as situações, a dose de esforço pessoal para sobreviver é fundamental.
É preciso não esquecer que o esforço para sobreviver numa incubadora não é diferente do que tem que ser feito lá fora. Não é uma estrutura paternalista. O espírito empreendedor e o empenho para produzir produtos inovadores, eficientes e eficazes têm que estar presentes.
A incubadora não é espaço de aluguel de sala, não é um prédio comercial. É preciso ter uma visão mais ampla e ter idéia do quanto à proximidade com uma universidade pode ser útil.
A incubadora torna possível a entrada no mercado de empreendedores que não têm base empresarial e precisam de orientação. É uma espécie de “chocadeira”, onde se faz a gestação de empreendimentos até que se tornem negócios independentes.
É importante destacar o papel da Incubadora Social no processo de coordenação dos esforços das empresas que não visam lucro, do terceiro setor no sentido de cada vez mais transformar o cenário econômico e social deste vasto país.

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